a materialidade das coisas.

as coisas que eu vejo, apesar de estáticas, exigem que eu e minha mente nos movimentemos. A rua continua lá, a terra continua lá e o mar, as comidas baianas e todos os doces estão em suas vitrines. Os carros andam e as pessoas que estão dentro deles parecem esquecer que continuam estacionadas no mundo, e que estão percorrendo ruas que não deixam de existir, nem de viver, porque elas estão passando.
A sonoridade do mar aqui em Salvador se mistura com a buzina dos carros e a violência das embreagens dos ônibus, que parecem querer engolir os transeuntes, com ódio. Mas, apesar de toda a confusão, stress, dores e enxaquecas do mundo, com seus prazos e atrasos, as pessoas ainda andam e vão à padaria, ou tomar um café; os surfistas ainda vão pro mar e os advogados passam o dia com seus ternos, apesar do calor. Se eu fosse advogada, teria que me adaptar às roupas sérias, dizendo ser uma pessoa séria, que sou e ao mesmo tempo não sou - séria nas moralidades aprendidas e na ética praticada; "suave e frenética" (como uma exposição sobre Angola), e colorida, para os sentimentos humanos. Aprendi que eles estão presentes em qualquer pessoa. Do mais desdentado até o gordo rico.
O sol vai subir cada vez mais, até ficar a pino; depois vai descer aos poucos e chegar ao meu apartamento com as luzes douradas do fim de tarde, quando busco minha concentração nos projetos que criei. A noite chega aos poucos e não sinto a falta do dia, porque a luminosidade das estrelas e da lua, em qualquer fase, também é bela. E sei que amanhã será parecido, nunca igual, mas parecido... Nublado, com chuva ou com sol, procurarei ver a beleza.
A rua não deixa de existir: algumas pessoas apresentam suas olheiras e pele macilenta ao mundo, e outras continuam pulsantes e sem pressa, porque descobriram que a calma é o melhor caminho para resolver tudo. Ela vem quando se dá conta de que tudo exige um tempo para ser digerido.
O que esperar do asfalto?
Muito bem escrito. Nessa vida que passa tão rápido a única coisa que pode fazê-la parecer mais longa é viver com calma.
ResponderExcluir=) Obrigada Victor!!
ResponderExcluirMuito bom. Tanto o texto quanto a conclusão objetiva de Victor.
ResponderExcluir