Presentando

A urgência e a violência dos presentes no fim de ano assusta. Entre filas nas lojas, shoppings centers e pedidos pela internet, parece a cada instante mais difícil acertar a mão na lembrancinha que se quer dar às pessoas importantes na vida. Tanto as pessoas que sucumbiram ao Natal transfigurado em cifras capitalistas (mas que ainda lembram do significado de união que minimamente persiste), quanto aqueles que não ligam e praticam as compras somente para obedecerem à regra praticamente compulsória da troca de objetos parecem se sentir embriagados e obrigados a continuarem envoltos na onda de regime tirânico do mercado.
Escolher um presente para alguém que amamos torna-se um martírio. Coisa que, para muitos, em outras épocas do ano é um dos prazeres mais gratificantes - tem gente que adora dar presentes e ver como a lembrancinha escolhida agrada à pessoa amada - fica parecendo um mero ritual sem sentido nem valor. Para apressar o passo e sair do turbilhão de gritaria e das máquinas de cartões de crédito e débito, muitas pessoas resolvem o problema comprando tudo em uma só loja. Assim, sentem-se com o dever cumprido.
Como essa bagunça de fim de ano quase sempre me deixa pensativa, cheguei à conclusão de que o melhor presente - não importa o período do ano ou data comemorativa - é um livro. Mas não um livro que nunca se leu: o mais legal é poder, dentre as várias leituras feitas ao longo da vida, escolher aquela mais parecida com a pessoa presenteada, sabendo que vai ser importante e construtivo para ela. É claro que sempre ficaríamos tentados a escolher a leitura em que estamos atualmente (ela sempre parece mais tentadora e interessante, é claro, porque cada aprendizado muda nossa perspectiva do momento), mas acho que, conhecendo bem a pessoa, podemos escolher para ela algo especial.
Agora eu estou lendo "A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera, e fico tentada a dar esse livro de presente para qualquer amigo com tempo suficiente para refletir um pouco mais sobre nossas escolhas e sobre a fugacidade da vida.
Também indicaria "Uma ética para o novo milênio", de Sua Santidade, o Dalai-Lama, para aqueles que gostariam de parar para pensar um pouco sobre as atitudes e, principalmente, a intenção por detrás de cada uma delas.
"A Montanha e o Rio", de Da Chen, que demorei um tempão pra ler por causa do final do meu curso, é uma boa história que também nos inspira a ver como a vida às vezes vai nos levando a caminhos cada vez mais longe, nem sempre felizes; mas o quanto nossas escolhas e pensamentos sobre o que nos ocorre mudam nossa vida. Esse livro também, em alguns momentos, me fez sentir indignada em relação às injustiças que aconteceram e continuam acontecendo ao redor do mundo. E ver como na vida confortável que alguns de nós levamos, às vezes problemas minúsculos parecem tão grandes.

Um beijo a todos e um bom 2011!

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