"Amor e Inocência"

Felizes somos nós mulheres - e homens -  que, hoje em dia, podemos escolher com quem namorar, casar, fugir, onde queremos trabalhar, etc. Acabei de assistir ao filme "Becoming Jane", (Amor e Inocência em português), baseado na história da vida da escritora inglesa Jane Austen. O filme é envolvente e a história até bastante inquietante, ao ponto de que em certos momentos eu não aguentava mais ver ela decidindo e deixando de decidir seguir em frente com suas emoções versus agir da maneira "certa" e cuidar de sua reputação, família, etc.

A pergunta toda também é: até que ponto vale o amor ou até que ponto vale o sacrifício pelo vislumbrar de uma vida mais digna, no sentido de seguir o que uma sociedade de uma época diz ser melhor? Numa sociedade ocidental ou ocidentalizada, como se diz, hoje podemos fazer o que bem entendemos, caso tenhamos planos acerca de como fazer ou o que fazer com nossas escolhas. É claro que o julgamento alheio ou as dificuldades de uma jornada sempre são e provavelmente serão empecilhos para aquilo que pensamos ser nossa melhor e, infelizmente, mais difícil escolha. Mas é muito diferente daquilo que se lê em livros ou se vê em filmes retratando uma sociedade de século ou séculos atrás...

Não posso nem falar em realidades que são diferentes da minha; alguns países/culturas/sociedades seguem valorizando o "coletivo" (o bem estar familiar e econômico) em lugar de uma escolha um tanto mais emotiva ou egoísta, como o "casar-se por amor". Então falando baseada na minha experiência de vida/época/país e família, é claro (a minha é até bem aberta em relação a essas coisas), eu digo que a história de uma pessoa como a escritoria Jane Austen poderia ser muito mais estável em suas emoções e feliz caso se passasse na atualidade.

Assistindo ao filme com minha irmã e prima, não eram raros os comentários: "Que burra!", "Segue sua vida, vira escritora e foge com ele!", "Quanta complicação!". É claro que é assim enquanto a gente assiste aos filmes juntas: em nossa realidade, seria muito mais fácil dizer "sim" ao coração e seguir em frente, aos trancos e barrancos. Ao contrário de nós, as pessoas daquela época, até as mais independentes, como Jane Austen e aparentemente o amor da sua vida, dependiam sim de certas imposições, como o sustento de uma família inteira, a aprovação de um parente de posses, a reputação na sociedade, para conseguir viver de maneira digna.

Bom, no meu entender é claro que ela e ele poderiam ter sido mais ousados... Depois de tanto sofrimento e dificuldades, desistir no último momento nos parece ainda cortar a felicidade de toda uma vida e sacrificar a alma.

De qualquer forma, o filme é interessante para despertar em nós a sensação de que podemos fazer muito mais do que se fazia antigamente, ousar, escolher livremente e viver apesar dos comentários ou julgamentos alheios. Afinal de contas, o mundo hoje é muito "maior", e "fugir" para escapar de julgamentos é muito mais fácil. Começar uma outra vida em um lugar distante, para quem não é um trambiqueiro ou infame procurado pela polícia, mas apenas alguém tentando recomeçar, é sem dúvida uma opção mais animadora.

Talvez tanta liberdade até corte um pouco os ânimos e sonhos de alguns de nós, que de tanto poder escolher, acabamos acomodados com o que a vida nos deu. A dificuldade, pra mim, ainda se mostra como um propulsor de força e independência nos seres humanos. O desafio é que dá a força. Facilidade demais parece atrofiar nossos músculos e nossas mentes.

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Outro filme do mesmo estilo e bem bonitinho: "Brilho de Uma Paixão", que conta a vida do poeta inglês John Keats e sua amada Fanny Brawne. Link para uma crítica da Folha sobre o filme: http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/756368-filme-acompanha-romance-do-poeta-john-keats.shtml

Saiba mais sobre o filme baseado na vida de Jane Austen:
-Blog Crítica em Cena: http://criticaemcena.blogspot.com/2011/02/amor-e-inocencia.html
-Blog Cine Vita: http://cinevita.wordpress.com/2009/01/20/amor-e-inocencia/

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