Oxe, como era doce

A maçã, a laranja, a ameixa, a cereja
O sol
A praia difícil de caminhar, mas boa de sentir
O esforço do acordar cedo matinal

Como era doce
Lembrar das praticidades de uma vida nada prática
Bela pela simplicidade
E gentil em seu jeito de me cuidar
Viver alguns dias aqui
alguns dias acolá
Viajando sem rumo
sem sono, sem prisão
sem saber onde eu iria depois.

Doce, doce como o doce de goiaba
que comprei na padaria depois de voltei da Pipa
como o café instantâneo que não era bom
mas cuja embalagem usei para uma receita

Doce era fazer receitas
Doce é lembrar da minha doçura de menina
Doce é poder saber que posso voltar a ser doce
Oxe, como isso é doce
como isso é doido

Venho e vou, vejo e sigo
Sendo doce, amarga e azeda
Sendo d'outro tempo em mim
Sendo nova cada dia
como o sol na janela e no chão
como a secura do xixi do cachorro
depois de ninguém limpar com sabão

Que doce, que bom, que gosto.

Comentários

  1. O que é viver senão lidar com todas essas pequenas contradições do dia a dia. Os pequenos tropeços e os pequenos saltos. O doce e o amargo. O passado e o futuro. Oxe, como era doce e como ainda poderá ser. Ou pelo menos esperamos que seja! ;)

    Sua mensagem no meu blog ajudou - e muito!
    Você é uma linda, Lore! Saudades!

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    1. Linda!!! vi seu comentário agora! que bom que te incentivei! beijos e saudades.

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  2. Menina, você escreve poesia, é ?
    É um prazer conhecer essa outra que ainda não conhecia por palavras escritas, apenas por sorrisos. E ainda bem que poesia não está somente nas palavras... :D
    seu texto é um doce, não só o texto, rs

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    1. hahaha, obrigada Gabi! estive ausente por uns tempos aqui do blog, vou começar a rejogar minhas inspirações... beijinhos

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