nadinha


Você vai se sentir culpado 
Por ter prometido, mas não ter cumprido 
O que você com seu próprio coração 
Prometera. 
Poucos dias de separação 
Entre o tudo e o 
Nadinha.
Apenas o silêncio resta, 
Incólume. 
Mas não se sinta, segue, 
livre, de qualquer culpa;
sua desculpa é criar 
minha poesia. 

Aqui sob os escombros
restam pedras que se colocam,
umas sobre as outras,
em harmonia desarmoniosa,
formando sons e poeira e desenhos,
como na beira daquele rio onde passamos. 
As formas, o equilíbrio, tudo perdura,
até um dia, não perdurar
mais. 

Debaixo do tapete há ainda mais poeira,
do que herdei do passado, mágoas,
perdões e gritos, e respiração ofegante,
e a crença de que por amor não morreria.

Talvez.

Mas também não viveria plena, 
por um tempo breve, mas sem fôlego,
que se recuperará, lá na frente, 
em passeatas lentas, 
caminhando com cães
de companhia,
pois a sua, 
tornou-se nadinha. 

Dez minutos não farão diferença;
o silêncio seguirá, 
igual, e mais forte, e quase ensurdecerá. 
me entrego, como antes, com menos força ainda 
para resistir. 
Me coloco, sem vida, soletrando, uma a uma, 
as letras do seu nome. 

e ainda assim, em mais dois minutos, 
retorno ao mesmo lugar de antes…
Para encarar o silêncio do absurdo,
cegueira,
inconsciência,
escuridão, apenas. 

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