In:coerência


Minha vida é única, tanto quanto a sua.
Não luto para me encaixar numa tribo. Não sofro para estar enquadrada numa determinante.
Não sou a coerente acadêmica nem a correta trabalhadora.
Sou a apaixonada aprendiz, em todos os aspectos.
Ao mesmo tempo que disputo no coração a calma e a gentileza,
tenho dentro de mim o ódio da injustiça.
Sou disciplina e sou caos.
Me cobram. Onde você quer chegar?
Aos poucos, vou descobrindo, em assombros de alegria que surgem sem planejamento.
Justamente.
Ao buscar com alegria o caminho, ele se delineia lá na frente.
Não quero prender o momento ao sentimento.

Posso ser a boazinha domada, que fala baixo com todos, sorri como amélia.
Mas sou também a caótica loba que cultiva o escândalo, e ri de vossa hipocrisia.
Da mulher não guardo mais os hábitos – nem a vestimenta, nem os traquejos.
Sou outra, renovada, e única; assim como você.
Estou no mundo para criar o meu próprio padrão, ao invés de seguir o que me contaram nas historinhas.
Bonitas historinhas, porém. Deixem-nas. Não trago comigo o fogo revolucionário que tudo destrói. Convivo. Queimo um pouco, deixo virar cinza.
O resto, que se empoeire sozinho. Cachorros famintos virão comê-lo.

De coerência não vivo, talvez de equilíbrio, dinamismo.
O movimento calmo e circular.
Às vezes, um pouco de clausura. Que cura, apesar de mostrar a dor.
Deixe a coerência para os fanáticos.
Aqui vive o vento. Aqui vive a brisa. Aqui vivem as cores, os sentidos.
E eles mudam.


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