o que se diz


o que falamos?
falei, e muito. 

falei do que esperava e do que sentia.
descobri o outro nesse processo.
descobri como me fechei em minhas próprias percepções sobre o mundo, sem conseguir transpor a barreira da minha própria mente para me colocar em outro lugar, o lugar do outro. 
não adianta mais me culpar, porque tudo que sai de dentro de mim agora [e sempre] tem um motivo, um sentido. 

o cuidado com a verdade vai muito além. 

soltei minha verdade de agora, a única que existe: o momento.
a percepção, as revisões de si. 
a tentativa de se entender. 

é preciso meditar sobre isso, as palavras têm força. 
guardo as que consigo, guardo as que posso. 
algumas ficam com força e se tornam imagens, se tornam sentimento.

esse é o processo mais íntimo. 
buscar além de mim o entendimento do outro,
e buscar também além de mim o entendimento de mim mesma.

tudo faz parte, tudo que é proferido ou escutado. 
qual a revisão possível de tudo? da vida? 
talvez não haja.
tudo minúsculo, tudo detalhe.
o grande é dentro, o grande é guardado,
não sei se muda, se não muda. 

repense, reaja... sou eu mesma me dizendo.
mas esse processo machuca, não faz sentido. 
reagir para onde? reagir para quê?

me infiltrar em mim mesma, carburar o pensamento? 
até quando? por quanto tempo? 
vou até cansar. é o que me respondo,
guia interno.

vai com calma, o mar muda a corrente, o mar muda a maré...


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